<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>My CMS &#187; Uncategorized</title>
	<atom:link href="http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/category/uncategorized/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site</link>
	<description>dança-teatro</description>
	<lastBuildDate>Sun, 08 Sep 2024 03:13:07 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=4.0.38</generator>
	<item>
		<title>Economia da Cultura, nossa de cada dia&#8230;</title>
		<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/economia-da-cultura-nossa-de-cada-dia/</link>
		<comments>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/economia-da-cultura-nossa-de-cada-dia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2020 15:59:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[cooperativapaulista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/?p=884</guid>
		<description><![CDATA[<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Xjvv-6T_z3M&#38;t=6s">https://www.youtube.com/watch?v=Xjvv-6T_z3M&#38;t=6s</a></p>
<p>E a garça canta com tristeza &#8211; Cia. Artesãos do Corpo (criação para palco &#8211; estreia 2019)</p>
<p>O resultado cênico ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Xjvv-6T_z3M&amp;t=6s">https://www.youtube.com/watch?v=Xjvv-6T_z3M&amp;t=6s</a></p>
<p>E a garça canta com tristeza &#8211; Cia. Artesãos do Corpo (criação para palco &#8211; estreia 2019)</p>
<p>O resultado cênico presente nesse video curto não dá conta da intensidade e da profundidade do processo artístico realizado por um grupo que há mais de 20 anos pesquisa e se debruça sobre as relações, influências, alterações e diálogo ente o corpo e a cidade.</p>
<p>O objetivo dessa listagem é provocar a reflexão sobre a economia da cultura e os desdobramentos econômicos de cada projeto artístico realizado.</p>
<p><em><strong>Nessa criação/projeto trabalharam diretamente:</strong></em></p>
<p>1 diretora<br />
11 bailarinos intérpretes<br />
1 pesquisador musical sonoplasta<br />
1 pesquisador de luz e iluminador<br />
1 artista gráfico<br />
1 fotógrafo<br />
2 cinegrafistas<br />
1 figurinista<br />
1 montadora de luz<br />
2 professores de artes do corpo<br />
1 orientador teórico<br />
1 diretor de produção</p>
<p>Para esse projeto fomos representados pela Cooperativa Paulista de Teatro que emprega diversos trabalhadores que exercem funções administrativas, contábeis, juridicas. Empregos mantidos graças à recursos de projetos artísticos e contratos de prestação de service ligados à cultura e arte-educação.</p>
<p><strong><em>Indiretamente diversos profissionais prestaram serviços ou foram contemplados pelos recursos financeiros da cultura oriunda desse projeto artístico:</em></strong></p>
<p>1 empresa de transporte com seus funcionários e motorista;<br />
1 motorista que faz carreto;<br />
1 empresa gráfica com seus funcionários;<br />
1 loja de tecidos com seus funcionários;<br />
1 costureira;<br />
1 lavanderia com seus funcionários para a lavagem e manutenção de figurinos específicos (pois muitos dos figurinos são lavados em casa pois não dá para colocar esses custos no orçamento já tão apertado);</p>
<ul>
<li>Diversas lojas e empresas foram contempladas com nossa verba para a produção de cenário, figurinos e adereços/objetos cênicos;</li>
<li>Transporte público, taxi, serviços de aplicativo, postos de gasolina, estacionamentos.</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Nos espaços culturais que acolheram nossas ações e espetáculos:</em></strong></p>
<p>&#8211; Toda a equipe administrativa e fiscal dos teatros e centros culturais;<br />
&#8211; Diretores, programadores, animadores culturais, produtores locais, mediadores;<br />
&#8211; Técnicos de luz e som de cada espaço;<br />
&#8211; Profissionais de segurança, manutenção e limpeza de cada espaço;<br />
&#8211; Trabalhadores informais que tiram seu sustento da circulação de pessoas nesses espaços culturais.</p>
<p><em><strong><br />
O público que acompanhou nossas ações pedagógicas e artísticas:</strong></em></p>
<ul>
<li>utilizaram tranporte público, taxi ou serviços de aplicativos para seus deslocamentos e quem foi de carro pagou combustívels e estacionamento;</li>
<li>Consumiram nos cafés, restaurantes, e bares antes e/ou depois ;</li>
<li>Pagaram ingressos para as atividades realizadas com cobranças com a devida cobrança de impostos;</li>
<li>Consumiram produtos culturais (livros, cds, revistas, camistesas) vendido nas áreas de convivência, livrarias e lojas desses espaços.</li>
</ul>
<p><strong><em>Para a manutenção do estúdio e espaço de ensaio:</em></strong></p>
<p>1 proprietária do imóvel recebe o aluguel<br />
1 empresa de telefonia recebe o dinheiro do telefone e da internet<br />
1 empresa de energia elettrica recebeu mensalmente nosso pagamento<br />
1 empresa de agua e esgoto recebeu mensalmente nosso pagamento<br />
1 mercado do bairro recebeu nosso dinheiro através da compra de material de limpeza</p>
<p>Diversas padarias, mercados e lanchonetes, dos bairros onde os intérpretes moram, receberam o dinheiro de todos para nossos lanches coletivos</p>
<ul>
<li>vale lembrar que cada intérpretes também pagou ou complementou suas contas com os recursos desse projeto</li>
</ul>
<p><strong>Impostos:</strong></p>
<ul>
<li>Pagamos os impostos aos ECAD para a utilização dos direitos autorais das musicas utilizadas nos espetáculos.</li>
<li>Cada profissional pagou os impostos obrigatórios</li>
<li>Foram pagos as taxas de filiação da cooperativa onde a maior parte do elenco é filiada;</li>
</ul>
<p>Posso ter esquecido algum profissional, comércio ou serviço que utilizamos, peço desculpas&#8230;</p>
<p>Estudos mostram que a cada R$ 1,00 investidos na cultura R$ 13,00 retornam aos cofres públicos. Dito isso fica cada vez mais evidente a necessidade de lançarmos luz sobre a economia criativa e todo o seu potencial. Precisa ficar claro que a arte e cultura não move só os sonhos, as reflexões e a imaginação (dentre outras coisas), mas também move mercados.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ederson Lopes</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/economia-da-cultura-nossa-de-cada-dia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Luzes e Sons &#8211; ENCONTROS VIRTUAIS DA CIA. ARTESÃOS DO CORPO</title>
		<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/luzes-e-sons-encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo/</link>
		<comments>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/luzes-e-sons-encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2020 23:13:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[cooperativapaulista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/?p=882</guid>
		<description><![CDATA[Registro, reflexões e memórias dos encontros virtuais da Cia. Artesãos do Corpo durante o período de quarentena.

30/05/2020 (Dawn)
Boa noite,
A pequena ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class="">Registro, reflexões e memórias dos encontros virtuais da Cia. Artesãos do Corpo durante o período de quarentena.</div>
<div class=""></div>
<div class="">30/05/2020 (Dawn)</div>
<div class="">Boa noite,</div>
<div class="">A pequena Naia recebeu uma pergunta do professor de filosofia:  &#8220;Escreva uma vantagem e uma desvantagem do mundo virtual”</div>
<div class=""></div>
<div class="">A resposta dela revela muito da realidade dela…ela digitou (digitou viu &#8211; 2 meses atrás ela nem tinha tocada um teclado de computador…) &#8211; ‘desvantagem:  não pode abraçar.  Vantagem:  pode falar com família que mora longe’.</div>
<div class=""></div>
<div class="">O quanto eu estou refletindo sobre a noção de ‘longe’.  O que é longe?  Como medimos distância?</div>
<div class=""></div>
<div class="">Mirtes trouxe o texto que falou da “luz proibida” que os cientistas estavam acessando devido as supercorrentes aceleradas &#8211; quão longo é essa ‘luz proibida’?</div>
<div class=""></div>
<div class="">A luz proibida pode também brilhar dentro de uma pessoa sem ser visto por ninguém , dento de um corpo, que não tem espaço para se expressar, um corpo do nosso lado.</div>
<div class=""></div>
<div class="">A negação de liberdade, de amor, de movimento, de pensamento.  Essas também não são luzes proibidas?</div>
<div class=""></div>
<div class="">Os japoneses inventaram um pijama que parece camisa social peito para cima…ou seja &#8211; pode usar em quarentena, parecendo que está de ‘uniforme’, mas na realidade está ainda de pijama… <a class="" href="https://soranews24.com/2020/05/15/suit-up-for-video-conference-calls-with-new-business-pyjamas-from-japan/" target="_blank" rel="noopener noreferrer" data-auth="NotApplicable">https://soranews24.com/2020/05/15/suit-up-for-video-conference-calls-with-new-business-pyjamas-from-japan/</a>      E esse exemplo aqui &#8211; é longe do que?   Longe de muita coisa real…está sustentando o que?</div>
<div class=""></div>
<div class="">Reading a book last night to Orlando called ‘Up in the Garden, Down in the Dirt’ conhecemos os mundos que existem para nosso alimento crescer…quantos bichos micro-minúsculos e quantos movimentos dos elementos macro-magnificos precisamos para que uma cenoura possa crescer….  E o Orlando falou quieto &#8211; sussurando ‘eu quero um jardim assim’.    Quase chorei…parecia algo longe para eu conseguir dar para ele.  Longe.  De novo Longe.  Quão longe?</div>
<div class=""></div>
<div class="">Eu tinha um jardim assim, as referências são intimas, pessoais, lembranças que existem dentro de mim da minha infância.</div>
<div class=""></div>
<div class="">Será que longe, na verdade, toca algo muito perto &#8211; mas tão perto, tão tão perto&#8230;que doi?</div>
<div class=""></div>
<div class="">Bjs to all.</div>
<div class="">Boa noite.</div>
<div class="">Textos lindos &#8211; thank you everyone for writing here. xx</div>
<div class=""></div>
<div class="">29/05/2020 (Hiro)</div>
<div class="">
<p>Sobre Ryuichi Sakamoto: Playing the Piano for the Isolated… <b><span lang="PT-BR"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X6td9KUZMfw&amp;app=desktop">https://www.youtube.com/watch?v=X6td9KUZMfw&amp;app=desktop</a> </span></b>(enquanto lêem, ouçam a música à partir de 1:27:42)</p>
</div>
<div class="">Abre-se as asas sobre o piano de cauda, a cabeça prateada se achega ao banco e dedilha as teclas, rodopiante, emergindo de um blackout. A melodia é triste, parece estar sob um véu fúnebre&#8230; sob isolamento, sob lamentos confessionais de uma máscara.</div>
<div class="">
<p>Sakamoto, sempre elegante. Cenário, figurinos e instrumentos, matizes que vão do preto ao branco, a cabelereira se ilumina, o teclado, a partitura, a guitarra, o shamisen, branco prateados&#8230; em harmonia com os vermelhos e os tons de pele e madeira&#8230; tudo muito orgânico. O shamisen alterna melodias estridentes, nostálgicas, intermitentes, contínuas&#8230;</p>
<p>Um improviso delicado, concentrado, intenso e limpo&#8230; a arte que atravessa as paredes, rompe fronteiras, que se expande com o vento, que toca o nosso corpo, reverbera, extrapola a sala e alcança o outro lado do planeta. Esta mesma beleza se introjeta pelos sentidos, um anti-vírus que faz nosso sistema imune se multiplicar e acender as chamas de nossas súplicas contidas, que nos tira do limbo e nos dá a esperança de amanhã&#8230; sons cristalinos, melodias melancólicas em suspensão, em imersão. Furyo, retornar a 1983, voltar a 1942&#8230; ser ocidente ou oriente deveria ser apenas uma simples convenção&#8230;</p>
<p>Eram as panelas&#8230; agora são as lives&#8230; acumulando gatilhos e pequenas explosões&#8230; Estamos paralisados mas a cabeça não, segue à mil&#8230; saturação, ansiedade, contenção&#8230;&#8230; respirar, respirar fundo até a ponta dos dedos dos pés, preparando os músculos, retesando as pernas para correr, escancarando a boca para gritar a plenos pulmões, cerrar os punhos e atacar&#8230; a arte é o nosso principal ofício. De que outras armas vamos precisar? De todas! Vamos precisar de to-das as ar-mas!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Beijos e bom finde! Hiro</p>
</div>
<div class="">
<blockquote class="">
<div class="">
<div class="">
<h1 class=""></h1>
</div>
</div>
</blockquote>
</div>
<div class="">
<blockquote class="">
<div class="">
<div class="">
<h1 class=""></h1>
</div>
</div>
</blockquote>
</div>
<div class=""></div>
<div class="">
<blockquote class="">
<div class="">
<div class="">
<h1 class=""></h1>
</div>
</div>
</blockquote>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/luzes-e-sons-encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Abismos &#8211; ENCONTROS VIRTUAIS DA CIA. ARTESÃOS DO CORPO</title>
		<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/abismos-encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo/</link>
		<comments>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/abismos-encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 May 2020 20:43:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[cooperativapaulista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/?p=878</guid>
		<description><![CDATA[<p>Registro, reflexões e memórias dos encontros virtuais da Cia. Artesãos do Corpo durante o período de quarentena.</p>
<p>&#160;</p>
<p>19/05/2020 (Mirtes)</p>
<p>Olá todo mundo.
Dizem ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Registro, reflexões e memórias dos encontros virtuais da Cia. Artesãos do Corpo durante o período de quarentena.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>19/05/2020 (Mirtes)</p>
<p>Olá todo mundo.<br />
Dizem que hoje é feriado. Pouco importa não é? Depois do filme Perdidos no espaço, deveriam produzir o Perdidos nos Governos, tal é o tamanho do &#8220;Não Sei&#8221;que os governos estão. Bem, os daqui, são os necro! termo novo, mas que é praticado há muito tempo.</p>
<p>Feriado ou não, o dia se fez ensolarado, deu pra tomar os 10 min de sol, e tentar não ficar deprê com as noticias.<br />
Sabem quem escreveu querendo saber se estamos bem? O Armando a Betty. Lembram deles? Vieram para o festival, moram em A Corunha. Se dizem preocupados com as noticias do assassino que corre o mundo.</p>
<p>Nosso encontro começa com Dawn ( &#8220;não soa bem compartilhar coisas sobre fio dental&#8221;) contando que não usa o fio dental como deveria, ao contrario de seu marido, o Paulo, que faz isso com muita maestria! Mais uma cena pronta.</p>
<p>Como sempre nosso momento indignação por tudo o que acontece.<br />
Uma passada pelos videos compartilhados na semana: Riyuki Sakamoto inspirando elegancia, MA e uma equipe  de fazer inveja.<br />
Comentamos o artigo do Chomsky, de Saflate, o Greg Nwes e por que não o OVNI de Pau Grande.</p>
<p>As idéias para implodirmos esse neo liberalismo de dentro para fora foram dadas , como sempre, pelo MST.<br />
Os videos estão todos nos zaps compartilhados.</p>
<p>E lá vamos nós pra mais uma semana de quarentena.</p>
<p>beijos<br />
mi…isolando</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>21/05/2020 (Marcelo)</p>
<p>Passei a maior parte de minha vida em uma casa construída em um terreno que tinha sido dos meus bisavôs, e que depois foi dos meus avôs, e finalmente “nossa”. Casa velha, de cômodos grandes, teto de estuque, chão de tábua, que foi se expandindo conforme a família ia crescendo: Mais um quarto brotando aqui, uma cozinha sumindo ali e ressurgindo maior acolá, uma lavanderia e mais um banheiro se materializando nos fundos&#8230; Tudo muito desordenadamente, do jeito que dava, da maneira que a economia permitia. No final acabamos com quatro quartos, dois banheiros, uma cozinha, com uma mesa exageradamente descomunal no seu centro, me lembro que um marceneiro teve que retirar uma de suas tábuas para que ela entrasse pela porta, sala, lavanderia e o sumidouro “quartinho da bagunça” no centro de tudo. S em contar o quintal enorme, com varais, que na minha imaginação infantil pareciam postes de luz, uma horta cultivada pelo meu avô, e o pequeno jardim povoado pelas “mudinhas” que minha avó trazia das visitas as suas comadres ou que furtivamente afanava dos jardins alheios em suas breves andanças. Muita gente habitou naquela esquina, alguns por anos, alguns por meses, muitos foram concebidos lá, alguns foram e voltaram, mas muitos também não voltaram. A família se separou para que cada um criasse a sua própria família. Hoje ela tem apenas um habitante humano e dois caninos, mas, de alguma maneira, parte de mim ainda está lá, camadas de lembranças vão se sobrepondo, camadas de mundos que se foram, pequenos apocalipses. Coisas minhas ainda estão lá, alguns quadros, umas peças de roupa, meus CDs e meus livros, meus avós e minha infâ ;ncia. A lguns amigos também ficaram por lá, a última lembrança que tenho deles é da hora do chá, das intermináveis conversas pseudo intelectuais que acabavam em gargalhadas, ninguém levava aquilo a sério, e do rescaldo da pia cheia de louça dos lanchinhos da madrugada.<br />
Hoje, quem pode, está exilado dentro de sua própria casa, com medo da peste, com medo da guerra, cada lar virou um mundo, cada saída uma aventura. Continuo cercado de livros, os CDs ficaram obsoletos, filmes agora nos chegam por código binário. O apartamento é pequeno e se encontra em uma daquelas avenidas citadas por Caetano na música que ele fez sobre a cidade. Estou aprendendo com um gato shakespeariano como colocar um universo dentro de uma casca de noz, ele ri de mim. Não sei quando tudo isso vai passar, nem sei como o mundo vai estar no final, não sou dado a vaticínios, só sei que, mais cedo ou mais tarde, tudo vai virar memória.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>23/05/2020 (Ederson)</p>
<p>Hoje (23/05) estaríamos dançando pela primeira vez o &#8220;Senhor Tati&#8221;. Eu sempre detestei colocar informações na agenda do celular, mas em março eu resolvi tentar essa forma de organização e hoje o celular me avisa dessa data, dando informações sobre o trânsito até o Sesc Santana. Um aviso de algo que não vai acontecer, um adiamento, uma confusão temporal que confesso me deixou triste.</p>
<p>Triste pela noite de ontem, data que um vídeo revelado trouxe luz, forma e voz para o que já estava escancarado. Triste pelo sábado suspenso, pela estreia adiada, pela dança que será deslocada para outra data.</p>
<p>Sinto falta dos encontros, das coisas que só acontecem na presença física, saudades dos rituais simples do nosso cotidianos artístico: chegar ao estúdio, deixar o sapato fora da sala e sentir o chão de madeira acolher nossos pés descalços, abrir as janelas, o abraço, o café, o ensaio.</p>
<p>Está fazendo falta o contato fisico, o olho no olho sem mediação das telas, o calor dos corpos, a musica, a interação com cada artesão. Mas cuidar uns dos outros é o melhor caminho e seguimos em quarentena.</p>
<p>Estou adorando os encontros virtuais. É um respiro. Dou risada, me emociono, mato a saudade, penso, penso, penso nos futuros possíveis &#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>25/05/2020 (Mirtes)</p>
<p>Olá Pessoal</p>
<p>Hoje, segunda, dia 25 de maio. E temos pela frente mais uma semana de isolamento, noticias mórbidas e haja equilbrio emocional.<br />
O vento tem varrido a cidade desde sexta. Os sinos tocam a noite toda. Rasgou nossa &#8220;cortina&#8221; da &#8220;varada&#8221;de trás ( nossa quantas aspas! &#8211; será que isso é um sinal de que tudo por aqui parece mas não é?), e os sinos tocaram mais do que nunca já que o vento podia entrar mais ainda pela casa. Descobri que o sino que a Alzira Origami nos deu quando desfez seu estúdio, é super afinado e , mesmo na ventania, toca ao acaso uma sequencia linda de notas.<br />
Consolo para tantas incertezas, ou certezas mesmo, de tempos sombrios. Medos desenterrados de acordar com tanques na rua novamente.<br />
Certezas apenas com relação às nossas capacidades de criarmos sempre nos divertindo apesar de tudo.<br />
amanhã nos encontraremos para falar de ETs, do nosferatu ( será que Nosferatu ainda é melhor que ele? Hein Marcelinho?)</p>
<p>A palavra pico nunca foi tão ameaçadora. Esse pico parece não ter fim. Acho que pico não é uma boa palavra para dizer que milhares estão sucumbindo à falta de estrutura nos hospitais. O pico que nossos movimentos trazem tem uma sensação de fim, que por terras brasiles parecem desconhecer. Esse pico que &#8220;eles &#8220;( mais uma aspas) , tanto falam, não conhece o momento de acabar e de reconhecerem que não é pico e sim o fim do mundo.<br />
Ontem falei com minha afilhada ( eu ia usar aspas, mas achei demais de aspas por hoje), e ela relata que em Portugal voltaram ao trabalho, os restaurantes abriram com restrições, as praias idem, guarda sois devem manter distancia uns dos outros e não podem jogar bola ou raquete, cabeleireiros estão com agenda lotada ( e não vou fazer piada preconceituosa) e o presidente deles ( que parece ser uma espécie de Lula com Mojica europeu), liberou ajuda para os pais que ainda não se sentem seguros para enviar os filhos para a escola e poderem ficar em casa, e verba para àqueles que tem que recomeçar com dificuldades diante das restrições, ou seja, ele quer que as pessoas se recuperem. Na voz de Aline, havia segurança, certeza de que tudo estava sob controle. Fiquei triste por nós aqui no Brasil. Daqui pra frente somos personas non gratas em qualquer país do mundo. Trump, como sempre um cretino, fecha as fronteiras para brasileiros, como se eles estivessem livres do virus. O mesmo se dará com outros paises na esteira do EUA.</p>
<p>Vou ver o que desenterro no armário dos víveres para comer, já que ainda tenho estômago para isso.</p>
<p>nos vemos amanhã<br />
beijos<br />
mi….segurando por um fio</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>26/05/2020 (Marcelo)</p>
<p>Quando a gente olha muito para o abismo, o abismo acaba olhando de volta para a gente.</p>
<p>Ontem o sol não apareceu, hoje o frio continua, mas pelo menos a bola de hélio incandescente de quinta grandeza, que faz com que a vida neste sistema solar seja possível, deu as caras. O vento sibila no corredor, a pequena varanda é tentadora, mas os sopros eólicos a torna proibitiva, o felino de pelagem negra nos mostra, com cara de desprezo, o lugar ideal para repormos nossa vitamina “D”, olho para a ele e rapidamente capto o que passa pela sua cabeça: “Humanos burros!” Não vou discordar. As páginas do livro que estou lendo começam a pingar em direção ao final, no capítulo de ontem o autor lista as pandemias pela qual a humanidade passou, pelo menos as que foram registradas durante o que a gente chama de “história”, pois o vírus da gripe, pelo o q ue consta, nos acompanha desde bem antes dos rios Tigres e Eufrates ganharem esses nomes. Penso em grandes e pequenas perdas, dizem que Deus mora nos detalhes, digo que ele não existe, porque se existe é alguém com um senso de humor extremamente bizarro. A TV jorra absurdos que nos afogam, devemos relaxar e esperar nossos pés tocar no fundo para tomar impulso em direção a superfície, ou nos debater desesperadamente esperando o socorro¿ O quão fundo é esse poço¿<br />
Algumas vezes precisamos nos jogar do abismo para aprendermos a voar.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/abismos-encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Colecionando depoimentos &#8211; Encontros Virtuais da Cia. Artesãos do Corpo</title>
		<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/colecionando-depoimentos-encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo/</link>
		<comments>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/colecionando-depoimentos-encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 18 May 2020 18:27:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[cooperativapaulista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/?p=875</guid>
		<description><![CDATA[<p>ENCONTROS VIRTUAIS DA CIA. ARTESÃOS DO CORPO – OUTONO 2020</p>
<p>Registro, reflexões e memórias dos encontros virtuais da Cia. Artesãos do ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>ENCONTROS VIRTUAIS DA CIA. ARTESÃOS DO CORPO – OUTONO 2020</p>
<p>Registro, reflexões e memórias dos encontros virtuais da Cia. Artesãos do Corpo durante o período de quarentena.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>13/05/2020 (Hiro)</p>
<p>Oi, Queridos,</p>
<p>Que bom podermos nos encontrar no zoom e verbalizar nossas sensações: a Mirtes querendo sair/fugir e o Ederson no resgate como nas praças do Sr Calvino, a Dawn mais silenciosa, talvez pelos excessos de tarefas dentro e fora do lar, a Fany e seus galhos nos provoca inveja com seu bunker verde junto a famiglia, o Léo também tem seu bunker, sua sanidade e seus Guegué e Kiki(?), o Marcelo navegando sempre e colando no seu kit e com o seu Ari.</p>
<p>Ficar enclausurado e só não me incomoda muito pois não falta o que fazer,  venho acumulando coisas há mais de quarenta anos e gosto de reorganizá-las resgatando memórias que me inspiram em novos projetos. Evito as indagações de quando esta pandemia vai terminar, penso somente em quando poderei sair às ruas e encontrar meus afetos com segurança.</p>
<p>Percebo que estou mais sensível, será falta de vitamina D? Algumas cenas de filmes, principalmente de encontros e despedidas me emocionam e por vezes, me arrancam lágrimas, antes não era assim&#8230; com o avanço da idade sinto que meus olhos estão mais ressecados e que a tela do computador incomoda meus focos astigmáticos, mesmo assim ainda consigo lacrimejar.</p>
<p>A finitude está muito presente, já estava&#8230; mas agora há mais cabeças e corpos se apagando e deixando vários trajetos/projetos interrompidos. O fim nos acompanha, nos rodeia e nos mostra a urgência da vida em liberdade.</p>
<p>O que eu encenaria hoje? Talvez a tristeza que sinto, a revolta e o fazer livre. Existe o íntimo, o interno, o nuclear, a comunidade, o coletivo, a humanidade, a natureza infinita&#8230; somos muito pequenos. Este todo sintetizado no gesto econômico, sutil, na palavra curta que reverbera, na intensidade dos estados da matéria com os nervos eriçados, na dança do entrecorpos/entreobjetos, no espaço necessário ao viver por viver.</p>
<p>Beijos! Hiro</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>15/05/2020 (Mirtes)</p>
<p>Hiro</p>
<p>Que lindo relato.</p>
<p>Assim como os escritos do Leo e da Fany, me sinto representada em muitos momentos , alguns até que nem pensei estar sentindo, mas quando li percebi que isso estava me tocando também.</p>
<p>Nessas condições de falta &#8220;de ar&#8221;e de horas em frente às telas, chorar pode ser um grande negócio, além de lubrificar os olhos, nos faz bem. Será que não tinhamos tempo para chorar?</p>
<p>Que bom que vc acumula coisas há 40 anos! Me sinto menos culpada. Aquela senhora novaiorquina que tem 93(?) declara que acumula coisas há pelo menos 70 anos. Então? vc é um principiante.</p>
<p>Quando vc diz que estamos nos deparando com a finitude percebi que senti isso fortemente e não havia verbalizado. Pessoas que admiramos, artistas morreram de uma tacada só. Além de tudo o que está nos rodeando, ainda temos que lidar com essa sensação. Eu mais ainda…hoje faço 70 anos.</p>
<p>Obrigada por compartilhar conosco sensações preciosas.</p>
<p>Beijos mil</p>
<p>mi…encarando</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>15/05/2020 (Ederson)</p>
<p>Vocês vem colecionando coisas. Fica mais poético e menos pesado.</p>
<p>Acumular está relacionado com objetos sem sentido e valores. Está relacionado ao consumismo e ao descarte, quando colecionamos carregamos esses objetos de significados e memórias&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>15/05/2020 (Mirtes)</p>
<p>Pessoas queridas</p>
<p>Vcs consideram que estamos passando com elegância por essa experiência terrivel?</p>
<p>Acho que sim, embora os palavrões venham à boca com endereço certo, no mais, vamos levando com sentimentos alternados de alegria, tristeza, medo, fomes nunca antes sentidas, anciedades nunca experimentadas.</p>
<p>Mas quando nos vejo juntos, mesmo recortados em 6 telas, tenho a certeza de que será um tempo de MA, já é aliás, um tempo em que muitas vontades estão sendo criadas, muitos movimentos se avizinham e muitas idéias estão sendo colecionadas.</p>
<p>Aí, fico bem. Essa união não vai permitir que sejamos vencidos pelo horror ao redor.</p>
<p>Cada um de nós contou como foi o dia das mães. Como foram os últimos, o que não fizemos e o que fizemos. Foi bem emocionante.</p>
<p>Fizemos uma rodada de &#8211; qual peça vc quer apresentar depois de sair da quarentena, supondo que os teatros sejam liberados. Ficou assim:</p>
<p>&#8211; Marcelo &#8211; Espasmos Urbanos</p>
<p>&#8211; Hiro &#8211; Estranhos Seres Nebulosos e Ilusórios</p>
<p>&#8211; Mirtes &#8211; Estranhos Seres Nebulosos e Ilusórios</p>
<p>&#8211; Dawn &#8211; Estranhos Seres Nebulosos e Ilusórios no teatro e Sr Tati na rua</p>
<p>&#8211; Fany &#8211; Sr Calvino</p>
<p>&#8211; Leo – Olhar Urbano e Sr. Calvino</p>
<p>&#8211; Ederson &#8211; Sobre o Começo ou o Fim e Espasmos Urbanos</p>
<p><strong>Tocar e Fronteira</strong> ; Dawn comenta sobre as proporções que o toque tomou nesses tempos de confinamento. Também destaca que a palavra &#8211; froteira- ganha novas definições a partir de agora. O mesmo se dá com o que é<strong> próximo</strong>.</p>
<p>Também comentou sobre umaa performance em que um pic nic foi realizado próximo à faixa de segurança e no cobertor colocado no chão para sentarem e comerem foi desenhado uma faixa de limite também</p>
<p>Ederson : o toque na tela e suas implicações</p>
<p>Se vcs quiserem podem desenvolver melhor esses temas por escrito. ok?</p>
<p>Então vamos lembrar do Aikido e usar nessa experiência do confinamento:</p>
<p>&#8211; entre com simplicidade</p>
<p>&#8211; marque presença</p>
<p>&#8211; saia com elegância</p>
<p>Beijos mil</p>
<p>mi..marcando</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>16/05/2020 (Leandro)</p>
<p>É tudo isto que está acontecendo</p>
<p>Era terça<br />
Hoje é sábado<br />
Cada dia um dia<br />
Ontem foi aniversário<br />
Domingo passado era dia das mães</p>
<p>Era terça<br />
Tentei mudar de lugar na casa para acessar o computador<br />
Não funcionou desta vez<br />
Voltei a antiga reformada poltrona, no quarto</p>
<p>O que nos levou para este lugar?<br />
Lugar, palavra que no singular soa mais antiga que a poltrona, no quarto</p>
<p>Tocar na tela meio à conexão instável<br />
Sensações duvidosas<br />
Noções esparsas</p>
<p>A humanidade sai disparada no intuito de descobrir<br />
Infectologistas estudam, até agora sabem pouco<br />
Pouco se pode afirmar<br />
Nem médicos, nem líderes, nem infectologistas<br />
Nem taxistas<br />
Nem donas de casa, nem curandeiros, nem artistas&#8230;</p>
<p>A humanidade sai disparada no intuito de tentar descobrir<br />
Médicos, líderes, infectologistas<br />
Taxistas<br />
Donas de casa, curandeiros, artistas&#8230;</p>
<p>Trazer à luz o que sintetize as conjunturas<br />
Pouco se pode afirmar<br />
Por hora e por não saber o que está acontecendo<br />
Habitua-se a dizer: É tudo isto que está acontecendo</p>
<p>Mais informações no guichê ao lado do futuro</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/colecionando-depoimentos-encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>ENCONTROS VIRTUAIS DA CIA. ARTESÃOS DO CORPO – OUTONO 2020</title>
		<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo-outono-2020/</link>
		<comments>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo-outono-2020/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 May 2020 19:35:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[cooperativapaulista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/?p=871</guid>
		<description><![CDATA[<p>Registro, reflexões, trocas e memórias dos encontros virtuais da Cia. Artesãos do Corpo durante o período de quarentena.</p>
<p>&#160;</p>
<p>21 de abril ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Registro, reflexões, trocas e memórias dos encontros virtuais da Cia. Artesãos do Corpo durante o período de quarentena.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>21 de abril de 2020 (Mirtes)</p>
<p>Oi genten<br />
Mais uma vez nos vimos ao vivo para tentar matar as saudades nem que seja pela bendita rede que mais cai a toda hora nos deixando com caras distorcidas, ou bundas flagradas em pleno movimento</p>
<p>Vamos ao resumo do que conversamos hoje. Se eu esquecer de algo é só completar. Ok?</p>
<p>1- Sr Tati chegou no limite de possibilidades de ensaio on line. Agora, com o esqueleto pronto, musicas definidas, figurino, o calhambeque ( aliás esquecemos que já temos carro Dawn!), objetos de cena, raquetes é só aguardar o momento em que pdoeremos voltar a ensaiar juntos.</p>
<p>2- Sugiro que anotemos livremente nossas sensações, histórias ouvidas ou vividas, sobre bichinhos, filhos filmes, sobre familia, amores, brigas, mistérios, medos, alegrias, sonhos acordados e dormidos, enfim, um registro desse tempo suspenso em que estamos metidos sem querer querendo</p>
<p>3- ler o Igarashi. Tem tudo a ver com corpo, invenção da história e podemos traçar um paralelo com o que está acontecendo por aqui desde o golpe até essa história do virus. O capitulo 5 ( vcs receberam a Introdução, o capitulo 1,2 e o 5), fala das Olimpiadas. A questão é: que história vão inventar para essa situação do virus? Lembrem-se de que ele ,, o virus, salva o neo liberalismo moribundo de levar a culpa pelo fracasso do mundo em que vivemos.</p>
<p>4- conversamos tb sobre o paralelo que podemos traçar entre o 11de setembro, o 11 de março e agora, em que milhares de pessoas morrem ao mesmo tempo. Lembramos das Lagrimas de Fukushima, da palestra do Palo Serpa sobre a maneira como os indios enterram seus mortos, sobre enterrar ou queimar, sobre o Sahd guru explicando a morte.</p>
<p>5- Perguntas:<br />
Dawn: minha tia perguntou para mim qual a primeira coisa que vou fazer no fim da quarentena?<br />
Leo: o que esta em crescimento exponencial junto com essa situação e não estamos percebendo?<br />
Leo: coisas para fazer no fim do mundo ( passar creme por exp. )</p>
<p>6-Hiro se junta à Fany no desejo de construir cenários para a p&#8217;roxima peça. E todos já se assanham para passar um temporada no sitio da Fany.</p>
<p>7-Hiro comenta sobre os filmes Trono de Sangue, Dersu Uzala e Stalker. Ufa Hiro só faltou Solaris hein?</p>
<p>8-lembrei da importancia de colocarmos o som do trem passando do outro lado do Rio Doce enquanto Krenak dava uma entrevista. A aldeia, segundo ele treme a cada x que esse trem da morte passa. E ele passa dia e noite, como se a Vale quisesse tirar a ultima gota de vida da terra, antes que o mundo acabe. Lembrei do grito do pavão que gravamos.</p>
<p>9-Lembrei de fatos que antecederam o virus:<br />
-Notre Dame pega fogo<br />
-Veneza teve uma grande inundação<br />
-13 vulcões entram em erupção ao mesmo tempo<br />
-pássaros caem mortos do céu em Roma, Turquia, Grécia, Dinamarca</p>
<p>10- Sonhos: relatos de muitas pessoas que passaram a sonhar. O tema dos sonhos, Shizumi e Kirê voltam com força</p>
<p>11- comentamos da inutilidade de fazer arte sem ver as pessoas ….<br />
Dawn enviou o texto que fala sobre isso.</p>
<p>até quinta<br />
beijos mil<br />
mi….benzendo</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>28 de abril de 2020 (Mirtes)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Olá<br />
Mais uma vez tivemos que nos contentar em nos vermos pela fria tela do computador.<br />
Como bem disse o Leo- não se animem, aqueles que são os &#8220;p&#8217;raticos&#8221;, aqueles que pronto- encontramos um jeito mais econômico de distribuir arte- on line. Não- não será assim. Certamente, ainda Leo, aparecerá uma nova forma artistica, sim, pode ser artistica, mas não substitui a nossa forma, por exp, de processo artistico para a criação de peças, performances.</p>
<p>Mas, mesmo pela fria tela do computador, pudemos nos enternecer com a aparição do Guegué, super companheiro louro, de ouvir como estão tods e de, por que não, ficar vendo o Marcelo bocejar o tempo todo.</p>
<p>Fany- ainda não entendemos o que aconteceu. Vc sumiu e não te vimos mais. Tudo bem por aí?</p>
<p>Conversamos sobre a observação de que as pessoas voltarão à suas rotinas, seus empregos mixurucas, sua rotina, que para muitos, necessária para dar sentido à essa coisa que estamos chamando de vida. Até quando? Não sei.</p>
<p>Ok, sem criticas desnecessárias. Cada uma sabe o que é possivel fazer.<br />
Mas será que perderemos as sensações que esse momento está revelando? E mesmo que não as percamos &#8211; até onde estamos dispostos a ir para mudarmos de fato?</p>
<p>Dawn nos contou sobre o encontro virtual para falar das águas<br />
Hiro deu entrevista à Casper Líbero sobre sua experiência com os anos 60/70 e 80. Queremos ouvir sobre isso, mas ao vivo . OK? E talvez, valesse a pena uma rodada de conversas sobre a trajetória de cada um. Já fizemos isso ha um tempo atras, mas acho que podemos repetir.</p>
<p>Leo lança uma questão: vamos perguntar para as pessoas como a quarentena as fez melhorar em algo. Quem sabe, chegar na emoção por esse meio<br />
Leo tb diz que entendeu mais sobre o MA. Vai nos escrever sobre isso né?</p>
<p>Observando o grupo de estudos japoneses, fico impressionada com a pressão que eles se impõe para ler. Gente- são tantas indicações de livros que precisaríamos de mil quarentenas para dar conta de tudo aquilo. Ok, é o metier deles. Acho demais, mais ainda assim..<br />
Nós ao contrario, precisamos na quarentena cuidar justamente de respeitar a pausa! Isso chegara no nosso corpo e consequentemente na maneira como nos moveremos e criaremos. Além da pausa, o corpo sensivel ( Leo só me orgulha) e o corpo mais fisico. Como não estamos andando vamos perdendo tonus. Uma média diaria de 3h dedicados ao corpo seria o ideal. Afinal, não temos que criar nada, apresentar nada, ler desesperadamente nada. Tudo que estamos fazendo é assim &#8211; um olhar que viaja pelas informações sem muita preocupação.  Mas , ao voltarmos o corpo deve ter mantido o seu estado ideal.<br />
Sei que Dawn, por exemplo não pode tirar 3 horas, mas nós podemos. Divido esse tempo em 3 momentos: em jejum &#8211; no meio da manhã e no final da tarde.<br />
mentira<br />
tem dias que fico só nos exercicios em jejum e na yoga.<br />
mas prometo me esforçar….</p>
<p>Então vamos criar nosso compromisso de movimentação. Vale dançar sem compromisso, vale fazer o que lembra, sempre sabendo que de um espreguiçãr outros esticares aparecem, outras mãos e pulsos vão sentir vontade de girar e &#8211; outras pausas- vão surgir. A pausa da suspensão da cidade, a pausa do ficar em casa e a pausa que vamos percebendo ser mais fácil de acessar nessas condições.</p>
<p>Também é interessante observar como estamos surfando por momentos de preguiça total, de se jogar na superficie mais mole que encontrarmos, com momentos de querer se mexer e outros de tristeza, sei lá. Parece que vem tudo ao mesmo tempo. Em outros dias, como diz a Dawn, será que posso ficar feliz? Me sentir bem?</p>
<p>Com toda essa complexidade vamos levando nossa quarentena.</p>
<p>Até quinta à tarde<br />
beijos mil<br />
mi…exercitando</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>29 de abril de 2020 (Fany)</p>
<p>Desde que começou a quarentena, vivenciei muitas emoções.. no início,  ansiedade, medo e angústia, depois tristeza e aceitação,  depois raiva e medo, e no meio desses sentimentos um outro que era de esperança,  paz e sossego vinha também,  vinha até com uma especie de culpa, mas veio, e agora vem e volta todos esses sentimentos, as vezes misturados as vezes um deles toma mais espaço.. É um momento de muita reflexão, mas é maluco, pois é difícil pensar diante de tudo isso.. tantas coisas&#8230; tudo pode ser, tudo pode acontecer.. é, acho que é um período &#8220;MA&#8221; mesmo.. todas as potências estão escondidas nesse período, assim percebo.. as potências destrutivas sepre exibidas e intrusas, vem e aparecem na nossa frente a cada segundo desequibrando as potências positivas que cultivamos, mas elas estão lá também.. também se alimentando desse momento.</p>
<p>Gosto de pensar que não paramos, continuamos a nos encontrar, trocar ideias, inspirações e projetar peças futuras.. Talvez o MA vive no movimento também.</p>
<p>Hoje aqui no sítio venho sonhando muito, todos os dias acordo e durmo com o céu lindo de outono e começo a trabalhar no que sonho como realização de um trabalho. Estou construindo a &#8220;Casa Mateira&#8221; esse espaço está longe de estar pronto, mas está cheio de potência nele, mas posso continuar sonhando quando olho para suas paredes.</p>
<p>E se esse momento não tivesse acontecido, difícilmente eu teria conseguido trabalhar nele como consegui fazer. Claro, essa é a minha visão de alguém muito privilegiada de ter tantas regalias na vida, mas fiz.. está aos poucos acontecendo, conheço muita gente que conseguiu diminuir a frequência da sua ansiedade e aproveitar do silêncio da cidade, e cuidar mais de si..</p>
<p>Enquanto isso muita gente morrendo, enriquecendo e milícias se fortalecendo.. falo tudo isso sem saber para que. Não estou positiva em relação ao mundo, não acredito que estamos melhorando em nada, mas também não penso que estamos piorando.. mas também não sei nem o que pensar..</p>
<p>Vamos aprofundar, nos aprofundar, viver esse momento, e talvez sonhar de novo.. acho que apenas o futuro sabe o que isso tudo vai dar..</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>30/04/2020 (Mirtes)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>OI Fany</p>
<p>Ler o que vc escreveu é o mesmo que ouvir meus pensamentos e sensações pelas quais venho passando. A única coisa que me deixa um pouco surpresa é que vc, diferentemente de mim, está num lugar mais puro e ainda assim, todas essas questões te atingem. Privilégio de quem reflete? Pode ser. Alienados nunca seremos. Nem embaixo d&#8217;água. Bem, embaixo d&#8217;água eu estaria mortinha….<br />
Lembram quando falei da neblina? Quer dizer, quem falou foi ….esqueci. Estamos na neblina densa. Teremos que criar em nossa visão o que será daqui pra frente.<br />
Acho que seu espaço vai acolher muita arte. Se não para apresentações , para ensaios, preparação do espírito e do corpo.<br />
mi…inquietando</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>05/05/2020 (Mirtes)</p>
<p>Mais um encontro virtual. Acho que já perdi a conta de quantos fizemos Alguem sabe?</p>
<p>Bem, hoje o assunto pegou fogo &#8211; a entrevista de Alain Damasio nos fez, ao final, pensar em desobediências e que tais, a fim de escapar de um isolamento que começa a nos parecer absurdo em certos aspectos e que livra a cara dos governantes que nunca fizeram a sua parte- ou seja, cuidar das cidades, das pessoas e de não permitir que o povo fique na miséria como estão, fazendo que que duvidemos da humanidade.</p>
<p>A questão da &#8220;imunidade&#8221;foi levantada pelo autor e aco que só nessa idéia tem muito caldo para uma próxima conversa. Vamos reler?</p>
<p>Enquanto isso, vamos cuidando de abastecer de dados essa imensa rede, vasta e infinita, com nossos cliques , bate papos virtuais, filmes, afinal, como escapar disso hoje né?</p>
<p>beijos mil</p>
<p>mi..revoltando</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>06/05/2020 (Leandro)</p>
<p>Entrar e não pisar.</p>
<p>Vejo a todo mundo e o que acatamos como forma de estar resguardado: vários cômodos, com seus objetos de afeto, janelas, portas, plantas…  casa… ambientes preenchidos de cada um.<br />
Acostumamo-nos a ir ao encontro de, com a roupa do corpo, uma bolsa a tiracolo e nossas subjetividades.</p>
<p>E agora? Difícil explicar, né? É um meio outro.</p>
<p>Este &#8220;chegar&#8221; trás em mim uma sensação que tinha antigamente, quando algum irmão gritava da sala: “Vai começar o Jaspion!” A gente corria, se acomodava o mais próximo possível da tela e acontecia.</p>
<p>É um espanto revir esta sensação.</p>
<p>Buscar  memória de uma emoção adormecida talvez seja um dos meus processos de assimilar transformação. Porém, o meio ainda é outro e a tela de hoje também me reflete e me vê. Tudo instantâneo, simultâneo e interativo, com a presença requerendo um esforço do qual não se tem ainda muito jeito.</p>
<p>(&#8230;)<br />
Problemas de conexão e microfone até a reunião começar para mim. Entra no programa. Sai do programa. Um ajuste okay e consigo participar da reunião cibernética. Todos os rostos são queridos e estão em baixa definição.<br />
Hiro está experimentando como usar o celular para mostrar a casa com mais detalhes. Aquele fundo que sempre vemos, muda… vai ganhando profundidade em cada cantinho do que é um lugar de habitação. Ele mora lá desde 1984… Não é coincidência, meu caro Orwell? Também é coincidência o aniversário da Audrey?<br />
A vista não é mais a mesma. As corporações estão enriquecendo. Medo. Desobediência. Desconfiança. Pandemia. Fé e descrença. Complexidade. A vida que se tem, a vida que se terá. Paradoxos. Temas que são lançados e apanhados em rede.<br />
Na França, no Brasil, na Nova Zelândia, na Índia, nos Estados Unidos…  e como antes, ainda somos os mesmos, mas é diferente, Belchior… não estamos vivendo como nossos pais.<br />
Entrar e não pisar.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/encontros-virtuais-da-cia-artesaos-do-corpo-outono-2020/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Senhor Tati &#8211; criando em tempos de isolamento</title>
		<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/senhor-tati-criando-em-tempos-de-isolamento/</link>
		<comments>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/senhor-tati-criando-em-tempos-de-isolamento/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2020 19:54:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[cooperativapaulista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/?p=863</guid>
		<description><![CDATA[<p>Senhor Tati é a segunda parte da trilogia das insignificâncias, criações da Cia. Artesãos do Corpo para espaços públicos, praças ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Senhor Tati é a segunda parte da trilogia das insignificâncias, criações da Cia. Artesãos do Corpo para espaços públicos, praças e paisagens urbanas. Em 2014 estreamos Senhor Calvino (que continua fazendo parte de nosso repertório com mais de 70 apresentações) e Senhor Zeami sera a Terceira criação. Inspiradas na coleção de livros de Gonçalo M. Tavares chamada “O Bairro”, essas peças nascem como uma brincadeira, alusões sem compromissos com cada país sugerido: Itália, França, Japão e à personagens e o universo poético que constam em livros, filmes e obras desses três grandes artistas:  Sr Calvino (escritor Italo Calvino) e seus personagens Palomar e Marcovaldo; Sr Tati (cineasta Jacques Tati) e seu personagem Monsier Hulot e Sr Zeami (ator, dramaturgo e teórico Zeami Motokiyo) e o universo do Teatro Nô.</p>
<p>A trilogia das insignificâncias busca lançar um olhar para a poesia contida no cotidiano das cidades.</p>
<p>Senhor Tati teria, tem, terá sua estreia no final de maio de 2020. Após alguns ensaios a companhia , em virtude do Corona vírus, foi obrigada a se isolar e a fazer ensaios à distancia. Essa é uma estratégia inédita já que nossos processos para construção de peças precisam ser realizados com a presença de todos, uma vez que muitas cenas são construídas no ato mesmo da improvisação, com todos em ação ao mesmo tempo. E criar peças para a rua, tem que ser na rua, com a rua, para a rua, apesar da rua. Mas, uma vez iniciados os ensaios e, diante da tristeza que se abate com tantos desmontes da cultura, achamos que o melhor seria ir em frente, mesmo que fosse cada um dentro de sua casa.</p>
<p>Então cada um começou a realizar um programa de treinamento ( yoga, do-ho), e a pesquisar movimentos para cada cena já desenhada e criar outras composições e desenhar novas propostas.</p>
<p>Decidimos compartilhar algumas mensagens, reflexões, perguntas e sensações trocados durante essa experiência que poderão dar uma pista de como é o cotidiano da companhia e de como construímos nossos trabalhos, mas principalmente como nos tratamos.</p>
<p>Em um momento terrível, em que não temos nenhuma espécie de subsidio, que fomos impedidos de dar aulas por conta da epidemia, e com todos nossos espetáculos cancelados, resolvemos mais do que nunca renovar nossa teimosia em continuar realizando nossas peças. Mesmo que seja à distância e com uma saudades imensa dos abraços, cafés juntos e risadas. Sim, isso ainda não nos tiraram.</p>
<p><strong><br />
quarta-feira, 18 de março de 2020 14:33<br />
Assunto:</strong> Sr Tati e o mundo</p>
<p>Oi Tatis</p>
<p>Enquanto o mundo vira de cabeça pra baixo duas vezes ao contrário, a vida , vista daqui da janela, parece normal. A construção na esquina, está a todo vapor, infernizando nossa vida desde as 7 da manhã com caminhões enormes de concreto. O barulho está insuportável. Caminhões correm pelas ruas poluindo ainda mais a cidade e assim fazem também os motoqueiros. Então pergunto: é ou não é pra ficar em casa?</p>
<p>Qual a real letalidade do virus? Se eu saio de casa e não esbarro em ninguém, uso luvas pra tocar nas coisas e não fico em aglomerações, eu vou me contaminar? O virus se espalha pelo ar? Não né? Senão já estaria todo mundo morto.</p>
<p>Ou será que o confinamento é só pra livrar a cara do sistema falido de saúde que as rapinas do governo deram fim? Ou será que é só pra classe média que pode trabalhar em casa e ainda acha ruim ter que pagar a diária de suas empregadas?</p>
<p>Por que a população mais pobre não pode ficar em casa. É obrigada a pegar onibus, trem, metro. E aí como vai ser?</p>
<p>E nós artistas vamos nos fufu, porque na cabeça das pessoas sequer existimos.</p>
<p>Sinceramente? Fico &#8220;p&#8221; da vida com essa coisa de falarem que a filarmônica de tal e tal país está colocando suas musicas on-line. Ah- que mimo. Claro- os governos de países da Europa, vão continuar financiando essas instituições.  E nós? Ao final de tudo isso como estaremos?</p>
<p>Teatros, Centros Culturais e Instituições Culturais fecharam. O governo atrasa o repasse para grupos que ganharam editais no começo do ano. Agora disseram que vão dar grana pra museus? O Museu do Rio ardeu e ninguém do Governo deu um centavo.</p>
<p>Da parte que nos interessa, e é por isso que escrevo, mais do que nunca, nossa decisão de sermos artistas será colocada à prova.</p>
<p>As aulas do Toshi foram suspensas para avaliarmos a situação. As aulas de yoga idem. Como vamos pagar o aluguel? boa pergunta.</p>
<p>Alguns alunos &#8211; escreveram que iriam manter a mensalidade, pois sabem que vivemos disso. Quase chorei.</p>
<p>Cancelados os ensaios vamos ter que manter disciplina individual ferrada. Todos sabem os exercícios de yoga, do-ho. Se mantenham em forma. Isso pode durar muito tempo.</p>
<p>Estamos aguardando respostas sobre adiamentos, sobre o calendário de apresentações já agendada.</p>
<p>Quanto ao Sr Tati vou escrever já já. Tudo isso me cansou. Vou tomar um café.</p>
<p>beijos</p>
<p>mi…gritando</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em qua., 18 de mar. de 2020 às 12:29, Mirtes Calheiros &lt;mirtesc@hotmail.com&gt; escreveu:</p>
<p>Voltei</p>
<p>Como disse no e-mail anterior, vai depender da nossa capacidade de resistência física e emocional (sic) sobreviver a tudo isso.</p>
<p>Essa é a peça mais louca que vamos criar- nem rua, nem palco…em casa. Só podia mesmo ser o Sr Tati!</p>
<p>Ainda bem que já fiz isso com a turma lá de Washington.</p>
<p>Minha sugestão é que mantenhamos a idéia da peça criando uma <strong>rotina individual de dedicação ao tema</strong>.</p>
<p>Para isso proponho para todos que</p>
<p>1- <strong>ouçam a trilha sonora</strong> pelo menos 3 x por semana. Há muita musica na internet &#8211; tem a trilha dos filmes, que são lindas, e tem musicas francesas dos anos 50 e 60 disponíveis em filmes e trilhas sonoras. Isso é fundamental porque as trilhas dos filmes do Tati têm uma capacidade de nos remeter imediatamente não só ao espírito dos seus filmes, como a uma época que se foi. Isso abastece a peça.</p>
<p>2- <strong>criar para si, uma partitura de movimentação</strong> que vc repitirá em vários momentos da peça; vou mandar pelo zap fotos que tirei da agenda do Tati. após estarem seguros que esse jeito de andar e parar, com seus ritmos, pausas, maneiras de olhar, aí sim podemos pensar em marcar um dia para compartilharmos pelo internet. Não é cópiar as fotos. É para criar uma movimentação que carregue o espirito do personagem.</p>
<p>3-<strong>criem seu figurino(s</strong>) -se vistam com as roupas que considerem o mais prontas possiveis para a peça e enviem fotos.</p>
<p>Ensaiem em casa com seu figurino. Coloquem a trilha sonora e fiquem ouvindo com seu figurino e teste sua movimentação sem preocupação de onde ela vai entrar.</p>
<p>4- <strong>se alonguem</strong></p>
<p><strong>Produção</strong></p>
<p>1- Hiro : vc está fazendo a <strong>estrutura do calhambeque</strong>. Peço que vc vá enviando fotos de como está. Não precisa ser um primor, pois a brincadeira é que o calhambeque seja precário. Ë só uma alusão à um carro. Você também tem <strong>as placas de quilometragem</strong> pra fazer. Além disso vc está criando <strong>o guarda chuva</strong>. Quando estiver pronto vc pode enviar uma foto?</p>
<p>2- Fany- por favor crie uma estrutura leve e ao mesmo tempo que pare em pé e seja facilmente transportada que tenham <strong>as placas</strong> indicando os pontos de Paris</p>
<p>3- seus objetos pessoais, como pão para jogar aos pombos, cartola do mágico, etc…onde o pão estará? onde estará a cartola? raquete de tênis. Temos o biombo e podemos arrumar uma mala ou caixa em que essas coisas fiquem.</p>
<p>4- Ederson- vamos testar a receita de bolinhas de sabão? e mais borboletas com anéis de ferro</p>
<p>5- o<strong> S</strong> que ficará no chão….ainda não sei se vamos usá-lo de fato. Por isso fica suspenso.</p>
<p>6- <strong>guarda chuva</strong> vermelho, branco e azul. Ainda estou na duvida. O vermelho o Hiro já está usando. Eu tenho um branco, não sei se precisa um azaul. Depende do que vai ser feito com ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Cenas</strong> ( isso não é uma ordem de cenas)</p>
<p>1- <strong>abertura</strong> &#8211; com a musica de abertura do filme Mon Oncle</p>
<p>ainda não sabemos quem entra primeiro, quem entra e senta, emfim, o que podemos fazer é ouvir a musica e se imaginar entrando em cena. Pode ser até que vc se imaginem entrando em cena por uma lado e sumindo por outro, ou indo pra tras do biombo. Vcs vão ver nas fotos, que na casa da irmã do Sr Hulot, a garagem tem dois olhos&#8221;. Pensei tb e fazer dois buracos no pano que cobre o biombo.</p>
<p>2- imagine como vc se relaciona em algum momento da peça com <strong>as placas da cidade de Paris</strong> que a Fany fará indicando caminhos. Em algum momento da peça vc vai olhar essa placa. que movimentos ou que atitudes vc tomará? Se vcs tiverem um cabide alto usem como se fossem as placas na rua.Vou enviar sugestão de musica para que todos usem a mesma musica. Aguardem.</p>
<p>3- <strong>Carrossel -</strong> como vc entra no <em>modo carross</em>el? vai trotando aos poucos,  trotando pelo espaço e aos poucos vamos formando um circulo, que gira primeiro devagar, aos poucos aumenta a velocidade e depois entra no<em> modo poesia</em>, com a mudança da musica. Estou em duvida sobre duas musicas, pois a que o Hiro trouxe é legal, mas tem outra que toca no Paly Time que é bem legal tb. A segunda permanece a mesma. Aliás Marcelo, qual é a segunda mesmo? Hiro treine esses tempos com o guarda chuva aberto.</p>
<p>4- <strong>Biquinho Francês</strong>- Leo- continue ensaiando e pense que vc vai começar e depois de algum tempo outra cena se misturará a sua e vc continua até que termine. O Ederson sugere que em meio aos trejeitos com biquinhos vc tente incluir algumas palavras em francês</p>
<p>5- <strong>O Mágico</strong> &#8211; Ederson e companhia: Se imaginem em pé na cena e depois indo ao chão e dormir. Depois como cada um levanta? e como se movimenta com a borboleta na mão? A musica é La Vie en Rose</p>
<p>6- <strong>S &#8211; mulheres</strong> se encontram no S. Imaginem que vcs estão encontrando alguém que está no S. Todas nós sabemos da cena. Então vamos fazer sozinhas</p>
<p>7-<strong> Pombos</strong>- Fany- desenhe essa cena com calma. Vc propões 3 tempos. Não se preocupe com o momento em que vão acontecer. Só faça cada uma a fim de ficarem bem &#8220;limpas&#8221;</p>
<p>8-<strong> Jogar tênis </strong>- Ederson defina quantas x vc fará cada movimento. Assim, quem sabe, todos que estão &#8220;olhando o jogo&#8221;possam fazer os mesmos movimentos, mesmo sem a raquete.</p>
<p>9<strong>- Garçom </strong>- em algum momento Ederson irá fazer um garçom servindo a Fany. Defina essa movimentação para Fany poder ver um video e se preparar. Essa cena, pode ser no momento em que a Fany senta ( e acho que seria a primeira a sentar, logo no começo da peça, ) . A maneira como vc Fany propôs essa maneira de sentar, com aquele casaco, está muito legal.</p>
<p>10-<strong> Calhambeque </strong>- Ederson e Dawn vão no calhambeque- Hiro é o &#8220;diretor de cena&#8221;, vai mover o pano para fazer vento. Eu, Leo e Fany vamos montar o pano azul para fazer o mar, ou seja vamos prender o pano em &#8220;algum lugar&#8221;e depois a Fany e  o Leo podem &#8220;mergulhar e eu fico &#8220;tomando sol&#8221;até que o calhambeque chegue e aí a Dawn vai tomar sol e o Ederson vai mergulhar. O que vai acontece depois…não sei.</p>
<p>11- em algum momento haverá<strong> o baile</strong> , é claro, mas vamos deixar pra depois. Se vcs puderem assistir várias vezes o baile do Play Time seria bom, porque o baile desse filme tb é um carrossel.</p>
<p>12- sugestão de <strong>cenas novas, </strong>a gente vai escrevendo ou mandando fotos, para que todos fiquem sabendo</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Trilha sonora</strong></p>
<p>Marcelo mantenha o Ipad azeitado com a trilha sonora, ou melhor, com as musicas que já temos. Conforme formos definindo vc vai colocando em ordem. OK?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Cenário</strong></p>
<p>o cenário básico fica portanto: O café: o biombo, a mesa branca, 6 cadeiras ou cadeiras e bancos, o poste com as placas. Até agora, todo o resto vai sendo montado de desmontado. Mas tudo acontece como se o café, fosse o cenário principal.</p>
<p>Essa é uma atitude emergencial. Como já disse, não sei por quanto tempo manteremos o entusiasmo para ensaiarmos sozinhos. Vamos fazer um teste. Para que isso funcione o principal é manter a comunicação por e-mail.</p>
<p>Então essa semana começaremos esse programa, cada um na sua casa. Até o final do mês vamos ver o que acontece ( ai, por que será que tenho medo dessa frase?)</p>
<p>O que foi escrito no e-mail , responderemos no e-mail. O zap fica para musicas e fotos da peça. OK?</p>
<p>beijos</p>
<p>mi..ensaiando</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>RELATOS E RESPOSTAS DOS INTÉRPRETES:</p>
<p><strong>Ederson</strong></p>
<p>Tati em seu questionamento e crítica poética ao progresso nunca poderia imaginar esse ano de 2020.</p>
<p>A nossa precariedade nutrida por inúmeros governos e levada ao extremo no atual governo vai dar tons surreais, cruéis e assustadores a crise CoronaVirusBrasil.</p>
<p>O sistema capitalista e neoliberal levou e após a passagem desse furacão vai continuar levando o mundo pro buraco. Tudo o que não foi investido na saude e no bem estar social em nome da agenda neoliberal terá que ser usado agora. O Estado terá que ser FORTE e PRESENTE. A maioria do povo brasileiro votou num programa que defende o Estado ZERO. Tem pessoas no RJ que não tem água agora. Imagina daqui ha 20 semanas?</p>
<p>Ensaiar, criar, nos esforçar para dar sentido ao presente talvez seja um caminho para manter a sanidade do corpo, da mente e do espirito.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Leandro</strong></p>
<p>Boa tarde todo mundo!</p>
<p>O dia de ontem foi intenso. Sem otimismo. Fiquei tonto e em algum momento me desconectei.</p>
<p>É uma porrada de sensações e sentimentos,  mas não se sabe por quanto tempo o mundo vai continuar girando assim e nem o que virá depois.</p>
<p>Agradeço a Mirtes pelas direções e por tudo que ela compartilha.</p>
<p>Ao longo do tempo cada um sabe da fortaleza interna e dos elos que nossa convivência forma.</p>
<p>Acredito no teste que é para cada um criar rotina por si mesmo. Para mim o é.</p>
<p>No entanto, disciplina para o que realmente importa, parece algo tão benéfico, que independente do cenário, vale a pena buscá-la:</p>
<p>Marcar compromissos consigo mesmo, ficar atento aos processos e fronteiras.</p>
<p>Equilibrar a diluição de ouvir as músicas da peça durante os afazeres domésticos, por exemplo com a concentração de reservar um espaço-tempo para internalizar intenções e movimentos.</p>
<p>Dançar.</p>
<p>Ao mesmo tempo que tenho a certeza de não estar sozinho <img src="http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif" alt=":)" class="wp-smiley" /></p>
<p>Sinto que é um possível momento aproveitar o isolamento e criar.</p>
<p>Mundo de pouca ou nenhuma opção já experimentada.</p>
<p>Saudades já.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Hiro</strong></p>
<p>Queridos, boa tarde, quase boa noite!</p>
<p>O planeta estava e continua agonizando, exaurindo suas imunidades por conta do vírus homem. Agora, em poucos dias, o mundo está parando, as fronteiras bloqueadas, o contato pele/pele se tornou proibitivo, mas também, diminuiu a poluição na China (quiçá em outros centros), a produção de capital desacelerou para ter menos perdas de mão-de-obra, as famílias nucleares se fortalecem como células a resistir. A pandemia Corona não discrirnina país, classe, ascendência, gênero… a não ser os idosos que sobreviveram aos novos tempos. Não sei por quanto tempo deveremos resistir mas devemos prosseguir com o que nos alimenta a alma e, espero, o corpo.</p>
<p>Estamos sendo empurrados ao ambiente digital para poder ter contato com os outros, com mais tempo, talvez seja a nossa chance de fazer um balanço para mudar e resistir. Precisamos de pausas e devemos nos cuidar para cuidar dos outros.</p>
<p>Sigo focado no Sr Tati, controlando a ansiedade, mas com as antenas levantadas. Quanto às tarefas:</p>
<ul>
<li>Lavei parte do figurino, quando estiver ok mando uma foto.</li>
<li>calhambeque – juntei parte do material e está em fase de execução de projeto.</li>
<li>placas/cardápio – fiz um provisório mas preciso testar</li>
<li>guarda-chuva – refiz com fitas vermelhas, azuis e brancas. No final da produção, item 6, vc definiu como guarda-chuva vermelho… por enquanto estou usando o preto, se definir por vermelho, depois compro na 25 de março.</li>
</ul>
<p>Para as cenas, tenho algumas sugestões:</p>
<ul>
<li>Na Abertura, pensei em trabalhar como um mendigo bon vivant que vasculha lixos com o guarda-chuva e faz o seu pic-nic.</li>
<li>Placas da cidade, posso ser um turista japonês… talvez óbvio demais.</li>
<li>No Carrocel, sugestão, o carrossel se movimenta sem o guarda-chuva (GC), quando o círculo se formar vou para o centro e abro o GC, todos continuam em seus lugares, levanto o GC e arrumo todas as fitas (deixei com 8 fitas), quando levantar o GC todos se aproximam para segurar as fitas (as meninas seguram duas fitas cada e os meninos uma), todos se afastam e começam a girar (aí cada um desenvolve o seu cavalinho), para encerrar levanto o GC e vou fechando sobre mim (aqui preciso elaborar a finalização, paralelamente entra outra cena ou complemento).</li>
<li>Biquinho, pode ter um coro de pombos arrulhando à capela… Ou deixa pra cena dos pombos… ou junta as duas…</li>
<li>Calhambeque, vai faltar alguém para segurar as placas de estrada, pensei em alguém com poses de pin-up. Pensei em usar a mesma peça para cardápio e placas, o cardápio como uma caderneta normal e os cartazes como um caderno na horizontal, levantando as placas a cada movimento de pin-ups &#8211; <a href="https://br.pinterest.com/topics/pin-up">https://br.pinterest.com/topics/pin-up</a>/ &#8211; também interessante para se jogar na areia da praia.</li>
</ul>
<p>Demandas:</p>
<ul>
<li>Será que o Marcelo pode fazer um compacto de músicas selecionadas até o momento para nos mandar?</li>
<li>Fany, vc já viu Play Time? Vc vem pra Sampa por estes dias?</li>
<li>Estou com Jour de Fête / Carrocel da Esperança, do Léo, já vi.</li>
<li>Ederson, já gravou o CD de músicas francesas? Qualquer hora, passo pra pegar.</li>
</ul>
<p>Por ora, é isso. Beijos!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Dawn</strong></p>
<p>Boa noite everyone,</p>
<p>Tantas coisas acontecendo e tanta informação e tentando ser super adaptable and positive energy to keep strong and focused on NOW e respirar &#8211; enquanto olhando para frente para já incorporar novas formas de criar (em todos os sentidos) e sustentar tudo.</p>
<p>Por aqui, nos 4 estamos em casa desde sábado a noite.  As crianças juntas criaram conosco um cronograma de atividades para nos dar um norte quando não sabemos o que fazer com elas (yoga de manhã e na 6a a tarde tem Filosofia!!).  E eu e o Paulo estamos revisando horários para poder também cuidar dos nossos vários trabalhos e responsabilidades fora dos domésticos.</p>
<p>Mirtes &#8211; super obrigada pela estrutura e sugestões.   Vamos seguir criando e se cuidando sim.</p>
<p>Uma ideia de movimento/cena que eu tive é inspirada naquela secretária e o jeitinho dela de andar e os pequenos pulinhos….e que com cada pequena passo rápidinho assim ela fala ’oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui oui’ e quando fizer o pulinho ela fala ’Non!’ Com pausa, e daí tudo recomeça &#8211; com prancheta nos braços.</p>
<p>Vai chegar mais.</p>
<p>Big beijos to you all from here.</p>
<p>xx</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>19 de março de 2020</p>
<p>Qui, 19 de mar de 2020 09:40, Mirtes Calheiros &lt;mirtesc@hotmail.com&gt; escreveu:</p>
<p>Olá pessoal</p>
<p>Bom dia</p>
<p>Quando disserem pra vcs que gritar faz mal pra garganta digam que é mentira! Minha garganta melhorou de tanto que gritei ontem na janela</p>
<p>A comunicação que estamos desenvolvendo é comovente. Peço autorização para colocar no site da companhia.</p>
<p>Hoje não tenho mais certeza de nada, com exceção de uma coisa &#8211; essa é a tão temida terceira guerra mundial. Pela maneira como o vírus foi disseminado pelos EUA na China ( o paciente zero é um soldado americano que sais dos EUA já contaminado para a cidade de Wuhan).</p>
<p>Essa situação de caos que vai se instalar é imprevisivel.</p>
<p>Por isso, nossa habilidade de podermos nos centrar, mesmo que cada um na sua casa, será fundamental. Pode ser a diferença entre a vida e a morte.</p>
<p>Fizemos uma reflexão sobre nosso modo alimentar e vimos que, como comemos de forma mais racional, temos condições de resistir no isolamento. Assim espero. aposto que mel, aveia, própolis, ainda não foram os itens mais procurados. Papel higienico bate recordes?!?!? Freud explica. Aqui nunca pensamos em estocar tal coisa. Se acabar, desculpe a grosseria, lavem a bunda com água. A pior cagada os reacionários , já fizeram. Agora não adianta ficar comprando papel higiênico</p>
<p>Quanto ao Sr Tati</p>
<p>Sim!!!! esse é o espírito da coisa .. Todo mundo experimentando.</p>
<p>O Diogo enviou uma sugestão para falarmos e nos vermos- isso é importante- ao mesmo tempo. Assim que soubermos se funciona vamos combinar com vcs</p>
<p>Peço autorização para colocar nossos e-mails no site da companhia. é um registro muito bonito e dá um exemplo do porquê é importante uma companhia que se une no afeto e ao longo do tempo.</p>
<p>Dawn- gostei da idéia de deslocamento que vc propõe. Vamos à ela</p>
<p>Hiro- ok, vamos ficar então com o guarda chuva preto pra não atrasar sua produção. As fitas vermelhas, brancas e azuis já dão a mensagem</p>
<p>já dei risada só de imaginar vc revirando o lixo e fazendo piquiniqui com ele</p>
<p>também ri muito com sua sugestão de uma pin up! só se for a Fany</p>
<p>nós não somos muito bons em cenas muito combinadas, mas podemos tentar…estou falando do Carrossel.</p>
<p>Pode ser a Fany segurando as placas e eu e o Leo arrumamos o tecido azul.</p>
<p>O turista japonés pode ser testado sim. Não tem importancia ser obvio, estamos trabalhando com &#8220;tipos&#8221;</p>
<p>Leo: como sempre..poesia. Obrigada.</p>
<p>Passada uma semana desse horror, poderemos começar a identificar quais rotinas conseguimos adotar. Daí a gente pode compartilhar. OK?</p>
<p>Bem, agora vou para o front de batalha. Tenho que ir ao banco.</p>
<p>Hoje é dia de São José. Vou guardar os envelopes de vcs….</p>
<p>Marcelo também quer? Vc é um homem de &#8220;pouca fé? Dawn? e vc? quer também?</p>
<p>beijos</p>
<p>mi….segurando</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/senhor-tati-criando-em-tempos-de-isolamento/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Olhares e Vozes Femininas</title>
		<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/olhares-e-vozes-femininas/</link>
		<comments>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/olhares-e-vozes-femininas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Nov 2015 17:30:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[cooperativapaulista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/?p=575</guid>
		<description><![CDATA[Olá Michiko</p>
<p>A  apresentação da cena Incentivos  foi muito significativa para nós, pois foi a primeira vez que fizemos um extrato ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div>Olá Michiko</p>
<p>A  apresentação da cena Incentivos  foi muito significativa para nós, pois foi a primeira vez que fizemos um extrato da peça para os refugiados.<br />
Eles prestaram muita atenção e depois o Congolês que falou sobre a violência na Republica Democrática do Congo veio falar comigo sobre o que ele viu e nos convidou para participarmos de um encontro no dia 8 de dezembro num evento organizado por um sindicato. Ainda precisamos entender de fato do que se trata.<br />
Ouvimos os dados da pesquisa sobre os Haitianos no Brasil e alguns  chamam atenção: primeiro que alguém está  lucrando com a vinda dos Haitianos ao Brasil e não são brasileiros. Segundo, que eles são sim refugiados e  fornecer  visto humanitário só complica mais a situação.<br />
Bem, tudo me parece uma grande confusão de dados, pessoas que esperam , esperam, e vêem suas vidas se esvairem em desencontros. Essas foram as referências que digamos assim, foram novidades. A pesquisadora lança muitos temas para futuras pesquisas.</p>
<p>Hoje, na aula de Aikido, Sensei Bueno ouviu nossos relatos e impressões a respeito do Seminário de ontem a tarde na Pastoral e ficou bastante tocado. Ele desenvolve um trabalho com rios da cidade e amanhã vai fazer uma intervenção: colar adesivos com o nome do rio, nas placas de identificação das ruas por todo o percurso do rio Saracura que nasce no MASP. Para ele os rios são refugiados também. Nunca havia antes pensado em um rio como um refugiado, mas depois do acidente monumental em Minas começo a entender os rios dessa forma também.</p>
<p>Nos levou a refletir  o sofrimento  e seguimos pelos princípios do Aikido para exercitar: desvendar, ver, querer. E nos provocou: o que queremos com essa peça?</p>
<p>Amanhã, faremos ensaio e levaremos todas essas experiências em consideração.</p>
<p>Ouvir essas mulheres cujas falas são repletas de MA ( o Ma da dor, da dificuldade em encontrar palavras) foi bastante impactante.</p>
<p>Perguntei a Dana o que queria dizer Asma em árabe e ela, corrigindo minha pronuncia disse ser apenas um nome. Só ligou ao nome da mulher do Assad quando eu falei. Digo isso, por que acho que esse nome para nós tem outro sentido e quem sabe…<i>Asma vai à praia.</i></p>
<p>Assim fomos nos vendo, como brasileiros que somos, na fala das que estão há mais tempo por aqui  e entendemos que a crise moral nos assola desde muito tempo atras.</p>
<p>O dia 12 de dezembro será muito importante para sentirmos como está a peça.</p>
<p>Obrigada por ficar conosco</p>
<p>beijos<br />
Mirres</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/olhares-e-vozes-femininas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Muy lejos de aquí</title>
		<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/muy-lejos-de-aqui/</link>
		<comments>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/muy-lejos-de-aqui/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2015 19:27:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[cooperativapaulista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/?p=564</guid>
		<description><![CDATA[

nem todo fugitivo é refugiado
mas todo refugiado é fugitivo
a fuga e a chegada a algum lugar
não caracteriza refúgio
é um estado-espaço-tempo
em ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<form id="messages" action="http://webmail.ciaartesaosdocorpo.art.br/imp/message.php" method="post" name="messages">
<div id="messageBody" class="messageBody">
<div id="messageBody" class="messageBody">nem todo fugitivo é refugiado<br />
mas todo refugiado é fugitivo<br />
a fuga e a chegada a algum lugar</div>
<div class="messageBody">não caracteriza refúgio<br />
é um estado-espaço-tempo<br />
em que se chega por qual via?</div>
<div class="messageBody"></div>
<div class="messageBody"></div>
<div class="messageBody">volta a pergunta &#8211; e o nosso refúgio?<br />
de que se foge e se admite que foge</div>
<div class="messageBody">para necessitar algum lugar</div>
<div class="messageBody">que amenize o ato inimigo<br />
que torne a morte mais longe<br />
ou mais aceita e menos injusta<br />
que torne a sequela mais suportável<br />
ou mais entendida e menos vista</div>
<div class="messageBody"></div>
<div class="messageBody"></div>
<div class="messageBody">um quero viver em paz<br />
porque quero continuar vivo<br />
e quero vivos os que me querem<br />
e quero paz aos vivos</div>
<div class="messageBody"></div>
<div class="messageBody"></div>
<div class="messageBody">bésame mucho<br />
como si fuera esta la noche<br />
la última vez<br />
piensa que tal vez mañana<br />
yo ya estaré lejos<br />
muy lejos de aquí</div>
<div class="messageBody"></div>
<div class="messageBody"></div>
<div class="messageBody"><strong>Leandro Antonio</strong></div>
</div>
</form>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/muy-lejos-de-aqui/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Processo criativo &#8211; Reflexões poéticas do Leandro</title>
		<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/processo-criativo-reflexoes-poeticas-do-leandro/</link>
		<comments>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/processo-criativo-reflexoes-poeticas-do-leandro/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2015 18:54:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[cooperativapaulista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/?p=560</guid>
		<description><![CDATA[


<em>Uma das visitas à Pastoral.</em>

Sim, lembro desta moça. Bom ter revisto a palestra, melhor ainda ter a sensação de que ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div class="gmail_extra">
<div class="gmail_quote">
<div class="HOEnZb">
<div class="h5"><em><strong>Uma das visitas à Pastoral.</strong></em></div>
<div class="h5"></div>
<div class="h5">Sim, lembro desta moça. Bom ter revisto a palestra, melhor ainda ter a sensação de que as informações parecem convergir cada vez mais dentro da peça. Uma coisa que parece nova, leva a uma já vista e assim por diante.</p>
<p>Como muitos, criaremos também uma história. Um perigo! Perigo este que nos desviamos com o nosso jeito de contar, com as diversas interpretações que as cenas permitem que os intérpretes e a plateia o façam e até o MA está aí para nos dar um suporte nisto, afinal um desafio que assumimos foi o de usar o MA como um espaço-tempo de comunicação com o público e a meu ver, isto naturalmente multiplica a história.</p>
<p>Fico pensando também se, esta palestra intercultural com tudo de &#8220;única história&#8221; que ela carrega. Já não se junta a &#8220;única história&#8221; que cada um trás de Brasil. Se porcamente ou não, ela não desfaz alguns mitos ainda mais depreciativos sobre o que é a brasilidade. Que &#8220;únicas histórias&#8221; são contadas sobre o Brasil mundo a fora. Algumas delas conseguimos reconhecer e algumas delas, até sem  querer, reforçamos quando nos vemos fora daqui.</p>
<p>Na palestra de ontem, foi bem legal o momento em que ela dá o microfone aos africanos para que cada um diga o seu nome e de onde veio. Naquele gesto criaram-se bolhas de conexão. Mesmo não podendo avaliar a subjetividade de cada um ali, tinha algo meio sonâmbulo no ar.</p>
<p>Enfim, todas as vezes em que vamos a Pastoral, penso que muito nos atravessa.</p></div>
<div class="h5"></div>
<div class="h5"><em><strong>Sobre o filme &#8220;Identidade de nós mesmos&#8221;, direção de Win Wenders sobre o estilista Yohji Yamamoto.</strong></em></div>
<div class="h5">Vamos tocar e quem sabe um tempinho para uma sinuca!</div>
<div class="h5"></div>
<div class="h5">Quando vi o filme, achei que de um modo geral ele tem muito a ver com algumas essências da cia. Yohji cria com as cidades e deixa que ele as atravesse e atravesse sua costura. Tem a intenção de fazer uma roupa que sirva de verdade, que seja algo para alguém, apesar de toda a efemeridade e cifras milionárias do mundo e do mercado em que ele atua. Ele tem leveza. Tem uma equipe que traduz bem os seus silêncios.</div>
<div class="h5"></div>
<div class="h5">O Wim Wenders, lindo e humildemente se coloca como um aprendiz do seu filme, do seu processo, do seu personagem. Parece ir, aos poucos quebrando a premeditação inicial e simplificada das impressões fúteis que a moda lhe tinha impresso. E no fim das contas rende uma homenagem a todas estas mãos costureiras que se desafiam a fazer &#8220;ombros de verdade em um paletó de verdade&#8221;</div>
<div class="h5"></div>
<div class="h5">Protagonista e diretor rendem-se à delicadeza de uma bainha executada à várias mãos, à escuta, à espera e claro, dialogam com o ar, os vazios e por que não correr o risco de dizer que, dialoga com o Ma e com o casaco que faz tão parte da minha identidade naquele momento da vida, que mesmo que não esteja frio, sempre é confortante tê-lo à mão.</div>
<div class="h5"></div>
<div class="h5">Abraços tecidos</div>
<div class="h5"></div>
<div class="h5"><em><strong>Leandro Antônio</strong></em></div>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/processo-criativo-reflexoes-poeticas-do-leandro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>e &#8211; MA- ils   &#124; divagações sobre o entre espaço</title>
		<link>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/e-ma-ils-divagacoes-sobre-o-entre-espaco/</link>
		<comments>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/e-ma-ils-divagacoes-sobre-o-entre-espaco/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2015 20:54:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[cooperativapaulista]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/?p=552</guid>
		<description><![CDATA[<p class="ecxMsoNormal">MAils – divagações sobre o entre espaço</p>
<p class="ecxMsoNormal">Da série conversas interessantes: Aparecer e desaparecer</p>
<p class="ecxMsoNormal">O Ederson envia um trabalho ...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="ecxMsoNormal"><b>MA</b>ils – divagações sobre o entre espaço</p>
<p class="ecxMsoNormal">Da série conversas interessantes: Aparecer e desaparecer</p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">O Ederson envia um trabalho fotográfico do artista visual Gustavo Germano </span><span lang="EN-US">(<a href="http://www.gustavogermano.com/" target="_blank">http://www.gustavogermano.com/</a></span><span lang="EN-US">)</span><span lang="EN-US">que retrata uma série de imagens registradas em diferentes períodos: a primeira com todos presentes e a segunda é uma tentativa de recuperação da imagem passada, mas existe um vazio, uma ausência.. É um trabalho eminentemente político, mas o Ederson lembrou de uma insistência nossa em abordar a rua com essa estratégia de <i>aparecer e desaparecer.</i></span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Até intencionamos levar isso às últimas consequências e transformar em uma performance independente, pois hoje<i>aparecer e desaparecer</i> faz parte de algumas peças de rua da companhia. Mas, como sempre,  descobrimos a força e a importância cênica de tal movimentação<i> fazendo </i>ou seja, em ação na rua e os livros vem depois.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Muito bem. </span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">O Caio leu o e-mail e relacionou com   texto &#8220;Planos de Composição&#8221; do André Lepeck, enviando os textos para todos e com o tema dos refugiados. Ainda não li todo o texto, mas no livro há uma socióloga, Avery Gordon que fala dos fantasmas, com o perdão da simplificação do texto. </span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Vai dai que eu achei tudo muito ligado ao filme Nostalgia de Luz. </span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">O Leandro, relaciona diretamente com o MA- a questão dos desaparecidos levando a vida de quem fica a um hiato. Nem vou lembrar de Antigona que não consegue enterrar o irmÃo!!!</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">E ficamos assim. Numa corrente de associações.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Mas (ou será MA?)  é assim mesmo. Só estou escrevendo para não nos perdermos em materiais tão ricos para discussão e reflexão. Estamos só no começo e muitas coisas já foram ditas e vcs que chegaram agora poderão resvalar em todo esse material e muitas outras idéias textos filmes experiências ainda acontecerão.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Os refugiados devem mesmo carregar muitos <i>fantasma</i>s para ficarmos só na leitura mais rasa dos autores.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">As fotos por si só já nos levam a pensar em mais um trabalho para rua. Que entre na fila! </span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Pensem bem: em se tratando de <i>aparecer e desaparecer</i>: o que deixamos quando desaparecemos? Está diretamente relacionado com as fotos. Vejam as fotos detidamente….. que pensamentos os assolam? Que ficou de quem ficou e o que ficou de quem se foi? Triste e lindo ao mesmo tempo. </span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Então tudo isso devidamente emaranhado, vamos ao refugio: insisto- em nós , em nosso eu, em nossa história, como identificamos refúgios?</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Refúgio tem definição bem específica. Inclusive ontem falei em Asilo, mas vou verificar- asilo não é refugio. Pedido de refugio é diferente de pedido de asilo? A conferir.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">como sempre Leandro…tenho muitas dúvidas.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">beijos</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><b><i>Mirtes Calheiros</i></b></p>
<p class="ecxMsoNormal">
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Pois é&#8230; Me emocionei vendo as fotos, pensei nos meus e o coração apertou. Me imaginei um pouquinho no lugar de quem foi retratado ali nas fotos, ausentes e presentes&#8230;</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Nunca tinha feito a relação tão diretamente dos &#8220;desaparecidos&#8221; com o MA. Para mim é MA.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Quem tem um desaparecido, é pego por um vazio, não morto, cheio de possibilidades. Teve quem morreu, quem voltou e quem permanece MA.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><b><i><span lang="EN-US">Leandro Antonio</span></i></b><i></i></p>
<p class="ecxMsoNormal">
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">Muito interessante o ensaio fotográfico de Gustavo Germano e o tema “aparecer e desaparecer”, principalmente se não trará-los como oposições binárias, mas ver o que se encontra “entre&#8221; o aparecer e o desaparecer, na mediação desse processo e no seu vestígio, no que fica na passagem do aparecer para o desaparecer (ou vice-versa?). Em relação ao Ma, acho que dialoga sim, porque tem a ver com o vazio, mas provavelmente nem todas as fotos. O que acho frutífero seja talvez fazer essas correlações (corrente de relações como bem diz a Mirtes) com o Ma (em vez de identificar se é ou não é),  estabelecer diálogos: de que maneira as fotografias se relacionam ao Ma, ao vazio (vazio potencial?) (vazio do nada?) (vazio prenhe do passado?). Vamos discutir na nossa reunião.</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US">beijos, beijos</span></p>
<p class="ecxMsoNormal"><span lang="EN-US"> </span><b><i><span lang="EN-US">Michiko Okano</span></i></b></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/e-ma-ils-divagacoes-sobre-o-entre-espaco/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
